MP denuncia psicólogo pelo assassinato da mulher e enteada encontradas enterradas em quintal de casa em Pompeia

Processo segue em segredo de Justiça e dados da denúncia em Pompeia (SP) não foram divulgados. Corpos das vítimas foram achados em fevereiro deste ano.

07/04/2021 - 14:51 hs

O Ministério Público ofereceu à Justiça uma denúncia formal contra Fabrício Buim Arena Belinato, de 36 anos, acusado de matar Cristiane Pedroso dos Santos Arena, de 34 anos, e sua filha Karoline Vitória dos Santos Guimarães, de apenas 9 anos, que foram achadas enterradas na casa onde moravam no dia 2 de fevereiro.

O inquérito havia sido finalizado pela Polícia Civil de Pompeia (SP) em março e encaminhado ao Ministério Público. Fabrício foi indiciado por duplo feminicídio e ocultação de cadáver. O crime de feminicídio tem pena que varia de 12 a 30 anos de prisão e a ocultação de cadáver, de um a três anos.

O processo segue em segredo e não foram divulgadas mais informações sobre a denúncia e se ela foi aceita pela Justiça. Caso seja aceita a denúncia do MP, Fabrício se torna réu.

O delegado Cláudio Anunciato Filho, responsável pelo inquérito, pretendia ouvir o suspeito de 36 anos novamente depois de verificar inconsistências em seu depoimento oficial para a Polícia Civil. Fabrício confessou que matou as vítimas, mas apresentou versão que difere das provas do laudo da polícia científica.

Ainda segundo o delegado, ele disse que matou a menina de 9 anos asfixiada, mas o laudo da polícia científica apontou traumatismo craniano na criança.

A Justiça, então, autorizou que o suspeito fosse ouvido novamente no presídio de Tremembé para esclarecimentos, mas houve uma reavaliação por parte da Polícia Civil, que decidiu encerrar o inquérito, já que ele teve a chance de falar a verdade quando foi interrogado.

Entenda o caso
Cristiane e Karoline estavam desaparecidas desde o fim do ano passado. Os corpos delas foram encontrados enterrados no quintal da casa onde moravam no dia 2 de fevereiro, sob um contrapiso de concreto.

No dia em que os corpos foram localizados, a filha de 16 anos da vítima foi apreendida por suspeita de participação no crime. Ela está na Fundação Casa de Araçatuba.

Já o psicólogo foi capturado em 8 de fevereiro, em Campo Grande, enquanto trabalhava em uma obra. Ele foi transferido para Marília no dia seguinte e disse à imprensa que se arrependeu do crime. 

Segundo o delegado, Fabrício chegou a pedir abrigo a uma igreja em uma cidade do Mato Grosso do Sul como se fosse um morador de rua. Ele fez todas as refeições diárias e higiene pessoal na instituição enquanto estava foragido.

Em depoimento à polícia, Fabrício detalhou que matou a esposa primeiro em uma briga, em suposta legítima defesa, com um golpe de faca. Em seguida, ele admitiu que matou a menina asfixiada com a mão quase um mês depois porque ela estaria questionando sobre a presença da mãe.

Porém, o laudo do IML que apontou a causa das mortes trouxe informações diferentes que contradizem a versão do acusado. A polícia acredita que as vítimas poderiam estar dormindo quando foram mortas.

A principal linha de investigação da Polícia Civil é que a adolescente apreendida mantinha um envolvimento amoroso com o padrasto. Por isso, além do duplo homicídio e ocultação de cadáver, Fabrício é investigado por estupro de vulnerável pois teria abusado sexualmente da enteada mais velha há vários anos.

A adolescente negou participação no crime, mas a polícia acredita que ela deu cobertura ao padrasto e ajudou a enterrar os corpos. Segundo o delegado, ela indicou à polícia o local exato onde estava enterrado o corpo da irmã.